terça-feira, 15 de julho de 2014

A reconstrução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro




Algumas propostas


Por Henrique Marques Porto

O objetivo desse texto é indicar um conjunto de ações e iniciativas mínimas para a reconstrução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Longe de pretender ser definitivo, o texto tem a intenção de abrir ou estimular o debate sobre o tema. Dispensável fazer o balanço dos últimos sete/oito anos e enumerar os erros, os desmandos e indicar exemplos da péssima administração do TMRJ no Governo em fim de mandato, e que entrará para história como a pior gestão desde sua fundação em 1909.

A palavra “reconstrução” é aqui usada com muito critério e explica, por si, a natureza do trabalho que deve ser feito no Municipal em função do que aconteceu nos últimos anos, e que pode ser definido numa palavra: desmonte. Essa foi a tarefa a que se propuseram a Secretária de Cultura, Adriana Rattes, e a presidente da Fundação Theatro Municipal, Carla Camaruti, ambas produtoras e/ou empresárias  do setor audiovisual. As duas senhoras tinham uma missão: terceirizar o Municipal. A própria ex-atriz Carla Camurati confirmou o objetivo em recente entrevista à revista Valor: "No início da gestão, em 2008, a gente tentou. A Adriana Rattes sabia que era a primeira coisa que ela deveria fazer como secretária de Cultura".

Quebraram as caras. Os funcionários do teatro, com apoio do meio musical e do público impediram a aventura que beneficiaria apenas a pirataria que ronda o belo prédio da Cinelândia.

Por trás da evidente incompetência de quem vem gerindo o Municipal nos últimos anos estão o autoritarismo e as decisões arbitrárias. E um certo espírito vingativo em relação aos funcionários do TMRJ. O mandonismo resulta sempre em incompetência, além de facilitar os mal feitos de toda espécie e o alcance de objetivos muitas vezes desonestos, como o favorecimento de pessoas, empresários, produtoras e pequenos grupos.  

A tarefa agora é tentar, num esforço coletivo, reconstruir essa importante instituição pública que é a Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A Instituição

A Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro (FTM/RJ) foi instituída pela Lei 1242 de 3 de dezembro de 1987:

Parágrafo único - A FTM/RJ terá por finalidade promover, incentivar e executar atividades culturais, especificamente nos campos da música, dança e representações cênicas, no âmbito de atuação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, conferindo-lhes flexibilidade e autonomia.
Art. 2º - A FTM/RJ será supervisionada pela Secretaria de Estado de Cultura, terá personalidade jurídica de direito privado, sede e foro na Capital do Estado e duração indeterminada, regendo-se por esta Lei e pelos Estatutos que forem aprovados por Decreto do Poder Executivo.

O objetivo da Lei é claro. A intenção do legislador ao transformar o TMRJ em Fundação, com “personalidade jurídica de direito privado”, foi dar ao teatro autonomia administrativa e financeira, gestão mais ágil e maior capacidade de captar recursos no setor privado, além daqueles previstos no Orçamento Estadual.

A FTM/RJ não vem cumprindo a própria Lei que a criou! E tem sido assim há quase três décadas. Institucionalmente está absolutamente desorganizada, a começar por seus órgãos diretores. O TMRJ sequer tem um Vice-Presidente! Tem sido praxe dos governantes limitar-se a indicar um nome para a presidência da FTM, sem consultar os funcionários do teatro e o meio artístico, e dar de ombros para o resto. 

Assim, o Theatro Municipal costuma ser lembrado mais pela imponência do prédio histórico e menos por sua importância para a cultura do Rio e do Brasil.

Na verdade, o Municipal foi reduzido a mais uma entre tantas unidades da Secretaria de Cultura, como se não fosse a instituição diferenciada que é -um dos maiores, mais belos e mais bem equipados teatros da América do Sul, único equipamento do Rio de Janeiro adequado para encenações de óperas e balés. Teatros menores foram reformados para outras finalidades ou demolidos.  

A reconstrução

Reorganização administrativa da Fundação.

a) Eleição dos Órgãos de Direção da Fundação: Presidência e Vice-Presidência, Conselhos etc. No caso das Fundações o presidente não é a autoridade máxima na tomada de decisões. Esse papel cabe a um Conselho –Diretor ou Curador.  Esse órgão, que tem poder decisório, é o responsável pelas decisões finais. A Presidência cumpre.  

b) Atualização dos Estatutos e Regimento Interno da FTM. Na verdade, não se sabe ao certo se existem Estatutos e Regimento. Ao longo dos anos ninguém deu bola para isso. Desorganizada, a Fundação Theatro Municipal está com as portas escancaradas para todo tipo de piratas.

1) Recriação da Orquestra Jovem (formação de músicos e prática de conjunto). A Orquestra Jovem foi uma das melhores experiências vividas pelo Municipal. Foi extinta nos anos 70. Seu último Diretor foi o Maestro Nelson Nilo Hack. Seus discípulos ainda estão aí nas estantes das nossas orquestras.   

2) Criação, ou recriação, da Escola de Canto e Canto Coral (formação de futuros coristas e solistas). O TMRJ já contou com a “Escola de Canto Carmem Gomes”. Foi transferida do Municipal para a Escola de Música Villa-Lobos e lá perdeu sua função.

3) Criação da Divisão de Cenografia, Artes Cênicas e Figurinos. Nos anos 50 e 60 o TM tinha um setor de cenografia, dirigido por Mário Conde. Dele saíram nomes como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãozinho Trinta (este era do corpo de baile e depois se projetou elaborando figurinos).  

4) Redução no curto prazo da enorme capacidade ociosa do TMRJ. Transformado pela atual gestão em casa de aluguel para convescotes variados o TM deve voltar a se dedicar à atividade artística como manda a Lei que criou a Fundação: promover, incentivar e executar atividades culturais, especificamente nos campos da música, dança e representações cênicas”.

5) Eleição direta do Presidente da Fundação Theatro Municipal, por Lista Tríplice, a exemplo do que ocorre nas Universidades Públicas e em fundações federais. Essa medida simples protegeria o Municipal contra as nomeações políticas, que geralmente atendem aos interesses do baixo clero e beneficiam empresas e pequenos grupos de pessoas. 

6) Transparência nas contas do TMRJ, uma verdadeira "caixa preta" recheada de contratos marotos. O TM é mantido por dinheiro público e tem a obrigação de prestar contas ao público. 

Atividades

1) Recriação da Temporada Lírica Nacional, resgatando a “Lei Ary Barroso”, Decreto-Lei 248 de 1948, com o objetivo de revelar novos talentos e dar chances aos artistas jovens –cantores, maestros, bailarinos, músicos, cenógrafos, figurinistas e técnicos.

2) Organização anual de uma Temporada de Concertos com a Orquestra do TMRJ. É absurdo um teatro manter uma orquestra sinfônica de qualidade que vem atuando apenas no fosso, em óperas, balés e eventos isolados. Isso faz mal aos músicos, ao público e à cultura do Rio.

3) Organização de uma Temporada de Balé que corresponda ao nível de qualidade do Corpo de Baile do Municipal, com a renovação da programação e incentivo à produção de coreografias próprias. Desde o início dos anos 80 o TM vem apresentando anualmente a mesma montagem de “O Quebra Nozes”! Um exagero absurdo que beneficia apenas uma ilustre empresária da dança.

4) Aproveitar espaços como o Foyer do Theatro para a organização de programação dedicada à Música de Câmara a preços populares. Público não faltará. Isso já foi feito no passado com muito sucesso. Sem prejuízo da inclusão desse repertório nas programações de concerto para o palco. Os próprios músicos da Orquestra Sinfônica do TM seriam incentivados a formar duos, trios, quartetos etc.

5) Organizar estratégias, com apoio profissional, de captação de recursos no setor privado para complementar o financiamento da área artística. O TMRJ jamais fez isso. Sequer empenhou-se junto ao próprio Governo para conseguir uma posição melhor no Orçamento Estadual.  

Recursos financeiros

Comparativamente a outros teatros do mesmo porte no Brasil, o Municipal do Rio só tem receita menor do que o Municipal de São Paulo. Por descaso do atual Governo, o que não é um privilégio do setor cultural, e por absoluta inoperância (incompetência seria o termo mais adequado) dos gestores do TMRJ. Mas as comparações com o TMSP são estapafúrdias e revelam grande dose de ignorância misturada com ma fé. Na verdade, nos últimos anos, a diferença entre os orçamentos de um teatro e outro não foi tão grande assim. E houve ano em que o Municipal de São Paulo trabalhou com orçamento até menor do que o congênere do Rio. Nem por isso o público de São Paulo ficou privado de óperas e concertos. A diferença é que o teatro de São Paulo tem contado com gente séria e comprometida com a música. John Neschiling, que comanda atualmente o TMSP, não é uma unanimidade entre os músicos e tem consciência disso. Mas ele é competente e não sai por aí fazendo asneiras. 

Como alertado no início, não tive a pretensão de esgotar o assunto. Também não tenho a arrogância de achar que essas propostas ou ideias sejam as melhores ou as mais adequadas. Tenho apenas duas certezas: 1) é preciso debater com seriedade e de forma organizada o futuro próximo do Theatro Municipal; e 2) Os funcionários do TMRJ e o meio musical do Rio de Janeiro devem ser os protagonistas da reconstrução do Municipal. Apoio e participação do público não faltarão.

Daqui a três meses o Rio elegerá um novo Governador. Da mesma forma como tantos outros segmentos sociais, os músicos e os amantes da música precisam se preparar e estar dispostos a influenciar nas decisões do futuro governante.    

15 comentários:

  1. Parabéns, querido Henrique
    Mais do que criticar e denunciar você nos apresenta propostas sérias, demonstrando o amor que tem pelo Theatro Municipal e a importância que dá à cultura nacional, em particular a do Rio de Janeiro.
    Beijos

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  2. Katia Pierre Medeiros16 de julho de 2014 11:09

    Perfeito!! Parabéns!! São ideias de quem conhece e entende a triste realidade do Theatro. Me aposentei ano passado, depois de fazer parte da orquestra por 30 anos, com momentos que marcaram muito minha vida, muitos momentos maravilhosos, mas infelizmente, por conta de tudo isso que o senhor mencionou acima em seu texto, resolvi tomar essa atitude que muito me fez sofrer. Mesmo sabendo que ainda poderia contribuir e muito com meu trabalho, que sempre fiz com muito amor e dedicação, ao contrário do que muita gente pensa (inclusive nossos "superiores") que músico e funcionalismo público não combinam. O que não combina são gestores, pessoas SEM PREPARO, assumindo funções públicas, pois são Cargos de (Des)Confiança, sem necessidade de CONCURSO PÚBLICO (ao contrário de nós, funcionários). Resolvi sair, pois minha saúde estava sendo afetada, não aguentava mais, mas estarei sempre pronta a defender e ajudar na Reconstrução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Desculpe o desabafo. Um abraço, Kátia Pierre Medeiros.

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  3. Henrique, havia feito aqui um comentário e ao publicá-lo, sumiu. Talvez porque tenha se tornado extenso... Vou ver se consigo reescrevê-lo. Oportunamente, deixo meus parabéns.

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  4. MUITO OBRIGADO !!!!!!!!!!

    Marcos Menescal

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  5. Bravo Henrique, sempre na defesa do Theatro. Desejo que mais e mais pessoas se interessem por esse debate.

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  6. Henrique, seu texto, como sempre muito bem escrito, abre a discussão sobre o futuro do Theatro Municipal, nossa mais preciosa casa de ópera. Você usa com precisão a palavra ”reconstrução”, pois é disto que se trata, ante à incúria cultural e administrativa com que nos deparamos, para não falar de outros descuidos com a coisa pública que despertam a atenção, sem que se tenha, até então, notícias de apurações concernentes à responsabilização dos gestores pelo evidente desmonte que se abate sobre o Municipal. Não faz muito tempo, o Teatro saiu quase ileso do desabamento do prédio vizinho (aliás, ocorrido por irresponsabilidade de gestores de obras). Hoje, infelizmente, destina-se a compor a paisagem da Cinelândia como um monumento esquecido, quase sempre às escuras, desnaturado de sua essência e de sua história. A palavra “gestão” – ato de gerir, gerenciar - vem do latim, “gero” que quer dizer, “produzir, nutrir, manter”. Como você bem aponta, Henrique, estamos diante de um cenário de significado oposto, qual seja, a “gestão” do desmonte administrativo e cultural de Municipal. Uma gestão cuja prática nega a finalidade da política pública de arte e cultura relacionada com a instituição dirigida. Tais gestores investidos do poder/dever estatal tentariam se defender, invocando que parece ser hoje sua obra prioritária: a construção na Gamboa do que chamam de “fábrica de sonhos”. Fábrica de sonhos ou de enganos? Espanta-me a gana dos gestores públicos por obras que envolvem cimento, pedra, engenheiros, empreiteiras, pregões, licitações... Espanta-me o montão de dinheiro empenhados nessas obras que nem sempre atendem às demandas da sociedade. Com a obra na Gamboa, os “gestores” do Municipal noticiaram a criação de um local para abrigar o acervo do Teatro e para dar cursos sobre cenário, figurino, etc. Sabe-se que o acervo (inclusive do Museu do Theatro) está praticamente perdido em local incerto e certamente inadequado. No mais, já faz tempo, não há programação a justificar a produção de cenários e figurinos. De que serve então a tal obra na Gamboa? Prioritária não é. Solicitada pela sociedade também não.
    Henrique, espero que sua matéria esquente o debate sobre o destino de nosso Municipal. Tudo a ver com o momento pré-eleitoral. Só não sei se dentre os candidatos registrados há algum que se torne sensível e se comprometa com a reconstrução que você bem propõe com a autoridade de conhecedor da história do Municipal. De toda forma, não custa tentar.

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    1. Realmente o Teatro precisa ser tratado com mto carinho e zelo. Só a titulo de observação, o acervo do TMRJ faz parte do CEDOC do mesmo e está mto bem cuidado sim. Em fase de projetos de digitalização e armazenamento não encontra-se perdido. Está armazenado e mantido em ótimo estado incluindo o acervo do Museu dos Teatros. São 26 anos de dedicação a esse acervo. Obrigado.
      Carlos Eduardo Cartaxo Mourão, chefe do Centro de Documentação da FTMRJ.

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    2. Caro Carlos Eduardo Cadu,
      Posso dizer que conheço bem grande parte do acervo do Museu dos Teatros, que visitei com frequência quando funcionava no Salão Assyrius do TMRJ sob a direção de sua criadora, Dona Stella Werneck, que tive o prazer de conhecer pessoalmente. O Museu faz uma falta enorme ao Rio de Janeiro e aos pesquisadores em particular.
      A informação que você dá aos leitores do Blog é muito importante. Existe alguma previsão sobre quando o acervo do Museu voltará a ser disponibilizado para o público?
      A propósito, o piano de Chiquinha Gonzaga está conservado? E os figurinos doados por Feodor Chaliapin (do "Boris Goudunov"); por Violeta Coelho Netto de Freitas (o Quimono que usava em "Madame Butterfly"); por Magda Olivero em 1964 ("Adriana Lecouvreur")? E o figurino usado por Procópio Ferreira em "Deus lhe Pague"? E a coleção de programas dos espetáculos (óperas, concertos, balés e teatro de prosa) do Theatro Municipal?
      Abraço
      Henrique Marques Porto

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    3. No momento ainda não há uma data marcada para exposição desse acervo, mas a pesquisa ao mesmo pode ser feita. O Centro de Documentação do TMRJ foi criado a 26 anos e desde essa data está aberto para pesquisa ao seu acervo que é vasto com programas, fotos, plantas arquitetônicas, etc. O acervo do Museu dos Teatros foi anexado ao CEDOC esse ano e todo ele se encontra conservado e em processo de armazenamento, digitalização e catalogação. Obrigado.

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  7. Enviei meu comentário, mas ele desapareceu. De toda forma, parabéns, prezado Henrique, pelo seu magnífico artigo.
    Caminada

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    1. Eliana,
      Seus comentários são sempre indispensáveis. Se você ainda tiver o texto, mande para mim que eu publico. Os comentários no Ópera Sempre são livres. O único filtro ativado é o anti spam. E tem muito, mesmo num humilde bloguinho que só trata de ópera, por incrível pareça. O Blogger (leia-se Google) não ajuda muito e às vezes até atrapalha. Seu comentário deve ter se perdido numa encrenca qualquer do Google.
      Obrigado e grande abraço
      Henrique Marques Porto

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  8. Prezadíssimo Henrique, o texto desapareceu justamente quando tentei enviá-lo. E eu não o tinha salvo. Mas vou tentar resumir o que escrevi ontem.
    Suas propostas são abrangentes e, sobretudo, pertinentes. Como você, não me conformo com o fim da Orquestra Juvenil, que justamente tocou na minha formatura na Escola de Danças.
    Aliás, não me conformo com o fim daquele complexo que reunia a Orquestra Juvenil, a Escola de Danças e a Escola da Canto Lírico, todos trabalhando juntos no mesmo prédio.
    Mas você contemplou também o ballet, o que representa muito para o mundo da dança que se executa ali, muito especial. Tem, como o corpo coral e a orquestra, a alma do Theatro.
    Igualmente, no ballet, precisará ocorrer uma reforma de base. Grande parte dos problemas do próprio Corpo de Baile têm começado na Escola de Danças, há mais de 20 anos entregue nas mãos de uma única direção que não tem nela, na Escola, seu principal foco de atuação. A Escola é a instituição de onde veem grande parte de nossos bailarinos e é para lá que eles deveriam voltar quando se retirassem do palco. Um período de adaptação necessário para que bailarinos trabalhem a parte pedagógica deveria existir. Então, para os bailarinos, começaria nova carreira: uns desenvolveriam essa carreira na Escola, galgando os diversos níveis técnicos até atingir a direção da instituição, outros retornariam ao Corpo de Baile como ensaiadores, professores master, remontadores, maîtres-de-ballet e diretores, se for o caso. Outros bailarinos poderão se aperfeiçoar em ofícios pertinentes ao nosso Theatro, como iluminação, cenografia, pesquisa histórica para programas, por exemplo. Respeitando os professores contratados de disciplinas específicas, os demais, deveriam ser oriundos da companhia: do diretor ao professor. Obviamente, um regimento interno deverá encontrar a maneira de readaptar a função original do bailarino, respeitando-se todos os seus direitos e acrescentando, quem sabe, uma gratificação por exercício de novo cargo na Escola ou na Fundação. Não sei a maneira de viabilizar isso - não entendo de administração -, mas sei que grande parte dos crônicos problemas de vagas para novos bailarinos ficaria resolvido.
    Amigo, nem sei se me fiz entender ou se o comentário acrescenta alguma coisa, mas minha intenção é sempre colaborar.
    Ah, outra coisa, é necessário que se resolva o problemas das gravações dos ballets e óperas. Esses espetáculos são um acervo do nosso Theatro. Uma querida amiga já me confidenciou que inúmeras propostas já foram apresentadas nesse sentido, mas não há interesse da direção e do Estado em resolver a questão. Gastam-se fortunas na tal fábrica na Gamboa e abandona-se o que sempre funcionou e manteve o Theatro vivo.
    Deus do céu, escrevi demais.
    Um abraço amigo da Eliana Caminada

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    1. Eliana,
      A Escola de Dança do Municipal tem quase 90 anos. Funciona desde meados da década de 1920, quando foi criada por Maria Olenewa. Foi oficializada anos depois, no início dos anos 1930. Formava bailarinos clássicos e também dançarinos para o teatro popular. A própria Olenewa criou, em 1927, uma companhia de Revistas com o ator, cantor e cômico Pinto Filho.
      A Orquestra, o Coro e Corpo de Balé formam o tripé que sustenta o Municipal. São a alma do TMRJ. E é assim em todos os teatros importantes do mundo.
      Os 24 milhões de reais que o BNDES liberou para financiar a tal "Fábrica de Espetáculos" na Zona Portuária é farra com dinheiro público. Beneficia diretamente a ONG "Spetacullu-Fábrica de Espetáculos", de Gringo Cardia -amigo e sócio de Carla Camurati na empreitada maluca. Já adverti que o BNDES, presidido pelo Prof. Luciano Coutinho, e o Governo Federal podem ficar mal nessa história. Com muito menos seria possível recriar a Orquestra Jovem, a Escola de Canto e Canto Coral e fortalecer a Escola de Dança. Ou ainda reformar o Anexo do TM para abrigar um centro cenográfico. Inclusive reconstruindo a passarela que ligava o Anexo à Caixa do TM, que madame mandou derrubar.
      Tenho a impressão que o Ministério Público tem (ou terá) muito trabalho a fazer no Theatro Municipal.
      Abraço,
      Henrique Marques Porto

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  9. Henrique, esqueci de me colocar à disposição para ouvir ideias novas ou não, enfim, para colaborar. Um abraço.
    Eliana

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  10. Só o item 6 vai ficar devendo. Transparencia jamais!!! Diga-se das obras do teatro que tinham orçamento x e acabaram, para variar, com 3x "x". Esse teatro ja foi maravilhoso. Mas com direçoes politicas apenas, sem contar com qualquer talrnto ou conhecimento do meio , vai demorar muito para pelo menos voltar a ser o que era na epoca do Bicudo. Um apena para todos nós.

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